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CONVERSAS AFIADÍSSIMAS O “Senadinho” é a confraria diária e única do Natal Shopping. De domingo a domingo chova ou faça sol, a rapaziada comandada por doutor Meroveu, de fino trato, bate ponto das duas até altas horas da noite. Apenas um “Senador” tem presença somente aos sábados, é o velho e sábio Manoel Paulino, 90 anos inteirados, mais da metade como líder político em Jardim do Seridó, onde fora Prefeito bem umas cinco vezes. Os que chegam mais cedo, geralmente, saem mais cedo, como o desembargador aposentado Meira Lima , o conselheiro Valério Mesquita, do TCE, e o dentista Gilvan, este para rezar dois terços à boca da noite. O primeiro só faz ouvir, o segundo é bambambam em causos e o terceiro faz a réplica e a tréplica de tudo que se fala, se conversa. Mas, o presidente Merova é o grande personagem que ainda está no gibi. Jovem ainda, do tempo do seriado A Deusa de Joba, ele cheio de “algaroba” assistia a fita no Rex e reage a uma cena brutal em que a mocinha apanhava pra valer de uma dupla de brutamontes. Não se contendo, grita “ ninguém aqui vai socorrer essa infeliz? Dito isto, saca o trinta e dois manda bala na tela do cinema. Os caras continuaram a bater na moça, mas os adeptos da sétima arte deram no pé, inclusive o atirador de elite... Como hoje é sábado, dia de goró e de amenidades também, vale a pena repetir essa: Manoel Paulino dos Santos, em uma de suas passagens pela Prefeitura de J. do Seridó, retira o velho cabaré do centro da cidade para dar lugar ao prédio da estação rodoviária. Assim com as meninas, ele as transfere para os arrebaldes da cidade, exatamente para a “Baixa da Beleza”. E constrói, mesmo no centro da comunidade, um prédio enorme que o alcaide afirma para todo mundo, inclusive o Governador José Agripino, tratar-se de em “Centro Social”. O governador, inclusive, participa da inauguração, mas, apesar do grande prestígio de Jajá na região, pouca gente ilustre da cidade se faz presente ao ato solene. Há alguma coisa! O Governador desconfia, releva. Dias depois, “o Centro Social” vira o “Ninho do Amor”, destinado a Severina Buchada e suas cocotes. Errata: na coluna anterior o nome do ex-Prefeito de Campina Grande, Severino Cabral, saiu como Severino Cavalcanti, o pernambucano e atrapalhado presidente da Camara Federal. As nossas escusas. PINGANIMIM Falando na Raínha da Borborema e seus grande personagens, Ronaldo Cunha Lima ganha disparado de todos. Depois de mandar bala em Tarcísio Burity, o mais chato dos seus desafetos Ronaldo é inquirido por um delgado federal. Delegado --- Quem atirou no homem? Ronaldo --- Foi um tal de Jonny Walker! A seguir, o médico auscuta os batimentos cardíacos: Pitú, Pitú, Pitú! A seguir, o teste de teor alcoólico no sangue: A-peritivo! A propósito: Raimundo Asfora, também advogado, político e biriteiro dos bons, faz as pazes com Cunha Lima, que o chama para ser o vice de sua chapa para Governador. Os dois, notívagos, por natureza, apelidados de candidatos abelhas, são indagado por um repórter “de como é que os senhores ainda encontram tempo para fazer política?”” Resposta da dupla: “ Vivemos voando. De dia, fazemos cera. E a noite,comemos mel.” OURO DE TOLO Em solenidade no Palácio Potengi, o empresário Fernando Bezerra entrega um documento reivindicatório da FIERN, que presidia, solicitando verbas ao general Figueiredo, ditador de plantão e que visitava Natal. E fica todo ancho, até ouvir do General Medeiros, então chefe do SNI, que se aproxima do pedinte, cortando o barato: “ Ele vai dar picas”. MORTE SÚBITA O nosso sistema de saúde agoniza na UTI. Do Oiapoque ao Chuí, literalmente. É uma vergonha. Os hospitais estão superlotados e sucateados, tanto nas grandes cidades como nos interiores mais fuleiras. Falta tudo, do esparadrapo, às seringas e agulhas de injeção. Sujos e maltratados, mas os homens não estão nem aí Aliás, ainda gozam com as nossas caras, como o senador Sarney, que flagrado recebendo ajuda de auxílio moradia mesmo morando em uma mansão destinada à Presidência do Senado, sai pela tangente: “Eu não sabia que esse dinheiro era depositado mensalmente na minha conta!”. Como perguntar não é crime, senador, e se essa grana ao invés de entrar, estivesse saindo? E aquela dinheirama, mais de uma milha de reais, encontrada sobre uma mesa no escritório de seu genro, também foi sem querer? Aliás, o Maranhão, terra de Sarney e sua trupe, é o Estado mais miserável do Nordeste, apesar deles mandarem lá há mais de meio século.
Escrito por OrlandoCaboré às 16h53
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Escrito por OrlandoCaboré às 22h00
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FORA DO AR Depois de mais de 40 anos dirigindo a Rádio Rural de Caicó, o padre Ausônio Tercio deixa o cargo. Marcando a data, amigos e colaboradores jantam com ele nesta sexta feira em uma das churrascarias da cidade, segundo Roberto Pereira, o Cabeção, que pega a estrada logo cedo. Tercio, praticamente, esteve à frente da emissora desde a sua fundação, ou melhor, um ano depois quando o seu colega Itan Pereira foi à Roma ver o papa e fazer um curso de teologia, em l964. A Rádio funciona desde primeiro de maio de 63 mas Tercio a dirige a partir de 67 com a saída às pressas e definitiva de Itan. Não posso afirmar a existência de uma relação de amor e ódio entre nós dois, porque tanto ele como eu não guardamos sequer rancor pelo menos um do outro. Tanto Tércio como Itan fizeram tudo por mim na inesquecível emissora da rua Otávio Lamartine inclusive me confiando a direção artística, mesmo sendo moleque ainda, aos 20 anos mal completados, em 1965. Nos atritamos enes vezes, várias punições, algumas injustas, mas reconheço, hoje, que fiz por merecê-las. Beijão, senhor vigário, do tamanho da grandiosíssima Rural, minha escola no jornalismo! BODAS DE MÉ (2) Roberto Cabeção não vai à terrinha apenas para comer o bom e o melhor do feijão do padre Tércio. Prolonga a farra com o mano Pituleira, sexta e sábado, em Ferreirinha, o bar mais antigo da cidade, coisa de meio século de biritas. Tem até lançamento de blog: www.bardeferreira.blogspot.com MUUUMMMM! Mesmo de baixo de torós quase intermináveis, os vaqueiros seridoenses continuam a derrubada de boi pelo rabo, entre bolões e vaquejadas. Depois do sucesso da registrada sábado e domingo passados em Wellington, na Timbaúba dos Batistas, a vaqueirama vai a de Marcão em Parelhas, encangando com a de Waldir Lopes e Fabiano Costa em São Bernardo, já no mês de junho, a do Saia Rodada em Caraúbas, a de Jucurutu, e novamente Parelhas, agora, no Parque Evandro Bezerra. O segundo bolão no Parque Thomas Nóbrega, na Fazenda Bangalô, está confirmado para a terceira semana de julho, segundo os organizadores Fabió, Eva e Taiane. Marreta – Bebidas Nacionais e Importadas – será o grande patrocinador. O empório fica na avenida Praia de Genipabu, 2l52, em Ponta Negra, Natal. TSUMANI CABOCLA Não se tem notícia de um inverno tão rigoroso como o de 2009 em várias regiões do Brasil. Aqui no Nordeste extrapolou, principalmente do Maranhão ao Ceará. A ruptura da parede da barragem Algodões, no Piauí, já estava anunciada hà semanas, mas, apesar da evacuação inicial da população ribeirinha por conta do perigo constante de arrombamento, o engenheiro responsável pela obra aconselhou que os moradores voltassem às suas casas. Também aqui na terrinha de Maria Mula Manca as chuvas não param, principalmente no Litoral, Alto Oeste e parte do Seridó, mas parece que a dinheirama prometida pelo Governo Federal ainda não deu o ar de sua graça. Responda-me, professor Ferreira: vosmicê acredita mesmo que já tem verba assegurada, no pé do cipa, para a construção da barragem das Oiticicas? E que a anunciada obra será executada mesmo daqui para o inverno do próximo ano, Tadeu do Paraguai? Ora, o “engenheiro” Júlio Rodrigues trabalhou na “construção” de Oiticicas em 1952 e, quando reunia a caborezada, já vaticinava: “É só conversa pra boi selado dormir!” EM TEMPO: Sobre as enxurradas doPiauí: vem à lembrança papajerimum a registrada em fim de março/início de abril de l98I quando do arrombamento da barragem de Campo Redondo que levaria de roldão mais l8 pequenos e médios açudes para dentro da barragem de Santa Cruz, no Trairi, que também foi por água abaixo. Apenas uma pessoa morreu nas enchentes, isso, graças a Fátima, a telefonista da então Telern. Ela e uma colega que se revezaram 24 horas seguidas avisaram aos santacruzenses da situação calamitosa da represa, que chegaria a sangrar com mais de 2 metros sobre a parede de barro. Os então secretários Iberê Ferreira e Manoel de Brito estiveram sobrevoando o local e conheceram o perigo de perto, mas nada puderam fazer, era tarde demais. A redação do Diário de Natal deixou uma linha telefônica à disposição da heroína da Serra do Doutor para informar o momento da ruptura do açude que, infelizmente, não tardou a acontecer. Este velho escriba de província foi o encarregado de transmitir a má noticia ao ex-governador Cortez Pereira que se encontrava no gabinete com Lavoisier, Governador à época. Reação de Cortez: “seja lá o que deus quiser”. SEGURA ESSAS: Uma apresentadora de noticiário da TV Cabugi: “Bernardo Vieira é recordista em multas de trânsito”! Clarinha, uma das minhas netinhas, ficou atônita: “Vô, e esse homem ainda é vivo”! Diálogo no “Senadinho” – Padre Ciço era tão forte que enterraram o corpo dele em Juazeiro, mas, dias depois, ele reapareceu no Canindé – observou doutor Meroveu. --- Mas, além de padre ele era um peba? – exclamou o incrédulo Keké.
Escrito por OrlandoCaboré às 21h56
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ÁGUAS DE MAIO (2) Acordo na madrugada com o grito do vizinho José Segundo, amigo desde os tempos de internato no antigo Ginásio Diocesano Seridoense, lá vai meio século: “Boqueirão está sangrando”. Aliás, toda a colônia parelhense em Natal e no resto do mundo está eufórica com o fato acontecido às primeiras horas de hoje. Quem avisou para Segundo foi Zeca, agora substituto do saudoso Badoglio, o muilti repórter da boa visita. O esperto Zeca fez plantão nos grotões da Borborema Potiguar, montado em seu Alazão. Remo Macedo alugou uma van e também se mandou pra lá e, daqui até domingo, a cana vai dar no meio das canelas na terra do grande Mauro Bezerra. Mas Remo implora ao Prefeito Fuxico: “” homem, aquela favela ao lado da sangria tem que ser derrubada, já, sendo substituída por quiosques padronizados e higienizados””. Com a sangria do Boqueirão de Parelhas, o rio Seridó despeja mais água para a Barragem das Traíras na bifurcação Jardim do Seridó/São José/Caicó. No mais, junho à vista e mais chuvas para molhar mais ainda o chão do Sertão, como se o inverno 2009 iniciado em fevereiro não tenha fim. A Emparn não se cansa de anunciar que a estação chuvosa no RN vai se prolongar até agosto, mas, ressalvando, apenas em Natal, parte do litoral e agreste,exatamente porque o inverno anualmente é nesse período. No Sertão ou, seja, no semi-árido nordestino, a quadra chuvosa é de fevereiro a maio, ao contrário de Natal, onde chove, praticamente, o ano inteiro e com mais intensidade em junho e julho. Início de noite de hoje, minha neta Taianinha liga de Caicó informando das chuvas ocorridas hoje no final de tarde. Que beleza! A propósito: reencontro com o sábio Jeffim Batista, 88 anos, filho do saudoso profeta Leandro Batista, e ele relembra algumas das experiências de inverno do patriarca. “Meu pai também se baseava pelas virilhas de Dona Sinhá. Se elas ficassem bastante úmidas, de escorrer água, em outubro, indicavam boas chuvas no ano vindouro. O mesmo valia para os gemidos da Serra do João Vale.” Em Campina Grande, dona Anita, esposa do líder político Severino Cavalcanti ( não confundir com o Biu pernambucano que chegou a presidir a Câmara Federal) também fazia as suas.O marido era Prefeito e havia marcado a inauguração de uma obra na periferia. A primeira dama discordou: “Severino, desmarque essa solenidade porque quando as rolinhas ficam com as cabeças pra cima ao anoitecer é sinal de que vai chover”. Severino; - Mulé, você ainda vai na onda de cabeça rola. Veja quantos fios nós já temos! NO GOGÓ Lourdinha Tetéu é o ente mais ajuizado parido por dona Maria Passarinho. Completados os l8 anos, vai ao cartório em Caicó “fazê meus documentos”. O esse ela troca por X. A tabeliã; “Vocé é casada, viúva ou solteira”! Lurdinha; “Xô xoteira!” O ditador Costa e Silva, um dos expoentes da linha dura vai ser paraninfo de uma turma de cadetes em Belém, Pará: “Meus caros Paraninfandos...”, até aí, tudo bem. Mas acaba extrapolando, semana depois, no Goiás: “Meus caros Goianifandos” e bla,bla,bla! REGISTROS Os 92 anos do velho bacurau Severino Eletricista, pai do competente advogado Geraldo da Costa Pinto,do STF, em Brasília, e das 7O eras de Vicente Baé, filho do lendário João Perício da Nóbrega, o João Baé, meu sogro, entrando nos 95, na fazenda Umari. Vai ser festão, sábado! A propósito: reencontro o avô dos meus filhos comodamente em uma cadeira de balanço, nos alpendres da casa grande da fazenda, e o saúdo – fala big brother. Ele jurumba: “O boga de quem?” PESAR O humor nordestino está de luto com a morte da potiguar/paraibana Miriam Gurgel. Conheci-a pessoalmente através de Henio Sá, seu sobrinho, nos anos 90 e nos encontramos várias vezes no “Senadinho” do Natal Shopping. Era uma pessoa incrível.
Inté logo!
Escrito por OrlandoCaboré às 19h46
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NA MIRA Ximbica já está arrumando as malas para assumir, interinamente, o Senado no lugar de José Agripino. Lá para o início do ano, quando o titular entra de licença para cuidar de sua campanha de retorno ao Congresso. Porém, bem antes disso, vai ter que comparecer em pelo menos duas delegacias(Polícias Civil e Federal) para explicar as razões pelas quais ameaçou de “pegar pra capar” o jornalista e blogueiro Ailton Medeiros. Ximbica, da fina flor do lourismo, em extinção, estava para ser intimado ontem e, tão logo isso aconteça, será ouvido na federa pelo delegado Haroldo Sérgio. Claro que o caso terminará em pura pizza seridoense, uma mistura de buchada de bode com manguzá, batata doce e jerimum, mesmo assim, é bastante constrangedor a um louro de sangue azul. POLE POSICION Enquanto a oposição tarda em assumir a candidatura da senadora Rosalba Ciarlini ao Governo do Estado, o quase governador Iberê de Souza( assume o lugar de Wilma Maria logo no raiar do ano novo) continua azeitando a máquina estatal para continuar no trono em 2010. Fim de semana em Caicó, durante a expochifre, circulou lépido e fagueiro entre o deputado federal João Maia ( que parece ter desistido de voar mais alto ) e o prefeito Bibi Costa. Alías, pelo que o “Careca do Trairy” declarou ao repórter Marcos Dantas, JM deverá ser mesmo candidato a vice e não ao Governo. Entonce, minha fulo de muçambê, deram um cristé de salamargo no todo poderoso presidente da AL, deputado estadual Robson Faria que, aliás, vive um grande dilema: se rebaixa ou não o filhote Fábio para a AL e pula para o seu lugar na CF. Dizem os analistas políticos de passagem pelo “senadinho” que Fabinho teria se envolvido demais com a Galisteu e de menos com a deputação em geral... EXPOCHIFRE (2) De volta aos bois, vacas, cabritas e deirinhos. Dudu Melo, grande leiloeiro, chega eufórico ao “Senadinho” pelos negócios realizados durante a feira de animais. Somente no leilão, os expositores faturaram 230 mil reais e os bancos do Nordeste e do Brasil financiaram mais de 4 milhões de reais aos envolvidos no agronegócio. Mas também foram comercializados muitas matrizes e reprodutores de várias raças diretamente entre expositores e produtores rurais. Mas uma vez, Marcelo Cunha Lima, grande criador de Nelore e Gir, da região de Santo Antonio do Salto da Onça, destacou-se em mais uma exposição de animais puros de origem. DE BUTUCA O líder empresarial e fundador do PDT aqui na terrinha do doutor Meroveu, Afrânio Amorim, não perde por esperar. Menos de 24 horas depois de denunciar que o peemedebista Henrique Alves era dono da sigla brizolista e Alvaro Dias um mero gerente, o eterno suplente de tudo concede entrevista a um jornal da capital conclamando “o PMDB para apoiar a candidatura de Carlos Eduardo ao Governo do Estado”. E, mais, “Henrique está costurando sua candidatura ao Governo do Estado, caso Tata aceite a candidatura a federal. Assim, assado, os nossos candidatos ao Senado serão Garibaldi Filho e José Agripino, fechando o firo”. Vai gostar de bacurau assim, lá em Umarizal, Afrânio! CHORÕES A oposição ao governo Lula não toma jeito, mesmo. Nas caladas da noite, conseguiu, com a anuência de José Sarney, o presidente faltoso do Senado, emplacar a CPI da Petrobrás. Dois dos nossos senadores, Garibaldi Filho e Rosalba Ciarlini, não assinaram, mas José Agripino caiu no canto tucano e esbraveja na procura de chifre em cabeça de cavalo. Ele, o Artur Virgílio e o ACMFilho, que também é um grande filho(!), mesmo sendo minoria, querem a presidência e a relatoria da comissão. Que caras de pau, pô! Nos governos Itamá-Itapior e FHC, que eles deitavam e rolavam, sequer cumprimentavam os “sapos barbudos” do PT, mas, agora, na oposição, querem tratamento igualitário. Pô de novo: e o Mercadante ainda é amigo dessa turma! Mas, os petroleiros estão reagindo em todo o Brasil contra essa turma que deseja bagunçar, manchar a imagem da Petrobrás para levá-la à privatização, velho desejo do pseudo sociólogo da Sorbone e filho de general da ditadura, FHC. FORA DO AR A TV Cabugi continua descriminando o Seridó. Há um mês, ainda focalizou as sangrias das barragens públicas, agora, nem isso mais, apesar dos reservatórios continuarem sangrando. Quando muito, Serginho vai à sua terra, Serra do Cuité, e mostra uma pequena roça de dez a vinte covas de milho e feijão. E só. Mas, não mostra os contrastes existentes na BR 226, da Serra do Doutor em diante e as farturas expostas à venda – milho verde e feijão, pinhas, graviolas, jacas - pelos humildes produtores rurais. Hoje, ao meio dia, destacaram uma matéria sobre o matagal invadindo as estradas do Oeste, que também expõem os motoristas ao perigo constante. Mas, esse quadro também perdura há muito tempo nas rodovias que demanda ao Seridó. É só ir lá e conferir.
Escrito por OrlandoCaboré às 11h24
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TIRO AO ALVO As caças às aves e animais selvagens estão proibidas no Brasil faz bastante tempo, mas a negrada continua desobedecendo a lei e a natureza. Porém, matar um jovem caçador desarmado é um crime muito mais grave. Portanto, o IBAMA vai ter que explicar muito o caso do final de semana envolvendo dois de seus zelosos fiscais na região de Jandaíra. Interessante, já assistimos duas reportagens no Globo Rural em que o Ibama recruta caçadores e até motoqueiros para afugentar os avoetes das plantações de soja no Paraná. Pior ainda, faz grandes escavações no solo e enterra, com a ajuda de tratores, os ovos das amargosas, como são chamadas as aves de arribação no Sul maravilha. Quer predação maior? Por que lá pode - e com ajuda do próprio Ibama – e aqui não? ARMADILHAS Essas são para os motoristas que trafegam pela Br 226, trecho Santa Cruz- Currais Novos: é cada vez pior o estado do asfalto à altura da Serra do Doutor. Ironicamente, nas barbas do posto da PRF. Faz mais de 30 anos que existem enormes crateras, que já provocaram dezenas de acidentes, mas os problemas continuam se agravando, isto porque a operação tapa buraco, entra e sai ano, executa os serviços pela metade. Mais uma vez, TCU, tem neguinho comendo dinheiro e muito... As armadilhas contra motoristas e passageiros também sobem as estatísticas de acidentes rodoviários no Seridó. As estradas estão péssimas, Dona Wilma, e deixemos de culpar as chuvas pelos estragos, elas apenas agravam a situação. Governadora, também ajude o prefeito Bibi Costa, de Caicó, a tapar buracos em nossa cidade,pois lá a situação é periclitante, mas o alcaide continua perdido que nem fiscal do Ibama em tiroteio. Aliás, o temor de um surto de gripe suína entre os conterrâneos aumenta a cada entrevista que o prefeito concede ao radialista Pituleira. Isto porque Bibi só trata os seus críticos como “Cabeças de Porco”. Já imaginou se o prefeito fosse freguês do bar de Zeca Barrão? Em tempo: não adianta convidar mais o Prefeito para solenidades. Ele falta a todas e manda um representante que ainda, invariavelmente, chega atrasado! BOMBA! Ainda ecoa no ar, desde a Cova da Onça, Natal, à pensão de Joana Concreto, o desabafo do líder empresarial e fundador do PDT-RN, Afrânio Amorim, de que “Henrique Alves, PMDB, é o dono do nosso partido, Álvaro Dias é apenas o gerente”. A turma do “Senadinho” ainda treme nas bases, temendo a rebordosa que vem pra cima do colega... HILÁRIANDO Conchavos no ar, segundo alguém do “Senadinho”; sai Fábio Galisteu, entra a Adriane Faria. O advogado-primeiro damo Menezes está lambendo um pirulito quibom por uma boca no TCE. Mas, tem deputado da base aliada mais azedo do que limão também babando pela guloseima, até porque pimenta nos dos outros continua sendo ponche! Falando em política, imploro encarecidamente ao alcaide Geraldão, manda chuva do PT, a minha desfiliação do partido, já que coube à vossa insulença vetar a minha candidatura a deputado federal em 2006. Pois é, gente, o gordão do bostagás era doido pelo nosso primo Rangel, já no PV, que ficou de melé solto e somente em Caicó arrebanhou l0 mil votos! A propósito de bostagás: eis a reação do meu irmão Uai, quando o médico receitou um medicamento para queimar as gordura. O doutor; - Esse remédio é para ajudar o senhor a soltar os gases armazenados. Uai; - Mas, doutor, não vai dar certo, pois já sou um homem de mil peidos por dia! Obs.: enquanto escrevo, as mensagens telefônicas não param. Risíveis, por sinal: “Paquera, azaração Uma amiga te chamou para curitr a galera no ego”. Aqui, oh!
Escrito por OrlandoCaboré às 17h10
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OLHA EU DE NOVO, GENTE! Depois de quase uma semana ausente, curtindo o inverno no Sertão do Seridó, volto revigorado pelas chuvas de maio, as águas de regatos, riachos, dos rios e dos açudes a sangrar, o perfume que exala do mato verde em flor, o canto da passarada que acorda a matutada para a ordenha do leite, o mugir do gado, o berro do restante da bicharada e o latido do vira lata saudando seu amo. É uma grande festa de interior brindada pela natureza que, este ano, nos proporcionou para valer essa felicidade que, aliás, se repete desde 2004. Na sexta-feira, cedinho, logo aos primeiros raios solares, nos deparamos na Serra do Doutor com os filetes de água a correr para formar as grandes poças, os barreiros a transbordar de água e alegria, a bicharada em festa, o agricultor na limpa de suas roças e a colher os primeiros frutos, quebrando o milho, apanhando o feijão, o maxixe, o quiabo. De ponta a ponta, da Serra ao Seridó por inteiro, o cenário é o mesmo – de muita água e fartura. Em Currais Novos, o Dourados volta a sangrar e o rio que corta a cidade anoitece a quinta e amanhece a sexta de barreira a barreira, aumentando sangria do Gargalheira. Adiante, a queda d’água do açude de Cruzeta é de indescritível beleza. É de se imaginar a alegria de jardinenses e caicoenses com a barragem das Traíras que volta a sangrar com boa lâmina. Realmente, a natureza é benfazeja com os povos do sertão! Mas, nem tudo é belo em nossas andanças pelo chão em que nascemos. Em Caicó, para variar, os acessos que nos levam a urbi continuam cheios de buracos e sujeira. Não adianta alegações oficiais culpando as chuvas por tal situação, porque, bem antes do inverno, um cinturão de buracos e lixo já asfixiavam a população. Enfim, caos total. Além do lixo doméstico e industrial, a qualidade de vida – se é que realmente existe – do caicoense se esvai a cada instante e a cada pedaço da cidade. Construções vão se repetindo da periferia ao centro sem obedecerem às normas que regem o código de postura do município. Material de construção e entulhos ocupam as calçadas, invadem os leitos das ruas e fecham avenidas. O mais grave: um irmão do atual Prefeito, que também já foi Prefeito, puxa a turba dos que maltratam o paisagismo, o meio ambiente, na construção de um prédio (condomínio residencial) de l2 andares. Literalmente, balançou o coreto da Avenida Seridó em pleno centro. Mas, nem tudo está perdido na capital brasileira dos barracos e dos buracos. Anunciava-se, para essa segunda-feira, o reinício das obras da favela e do mafuá da antiga Praça José Augusto e do quase centenário Mercado Municipal, simbologia de uma época de prosperidade industrial e comercial da antiga Vila do Príncipe do início do século passado. Resta, agora, esperar pelo término das obras. Saravá, meu pai xangô, mangolô, bico de pato.. DEU NA TRIBUNA “O Ministério Público Federal está investigando em Caicó as causas do desabamento de parte do Mercado Público da cidade. A Procuradora da República Clarisier Azevedo de Morais quer saber se a fiscalização da obra vinha sendo realizada da forma como deveria. Para isso, pediu informaçãoes à Caixa Econômica Federal sobre a datas em que será possível fazer uma vistoria no local. O MPF-RN quer saber se houve deficiências por parte da construtora que executa a reforma. Quer ainda que o município comprove se vinha realizando as fiscalizações de rotina e se tinha identificado algum tipo de irregularidade na execução da obra. Nos próximos dias, a Procuradora deverá ouvir o vigia do local e o sargento do corpo de bombeiros para colher informações que possam instruir o Procedimento Administrativo que trata do assunto...” EM TEMPO: Diz, à boca pequena, no centro da cidade, mas ainda sem comprovação, que o Prefeito já havia tomado uma providência: demitira o vigia! Aliás, Bibi denota muita tranqüilidade. Para ele, a derrubada do mercado pelas chuvas antes do previsto(e como era desejo dele) foi uma fatalidade. - O resto é lorota de muitos cabeças de porcos existentes na cidade! EXPOCHIFRE Sucesso absoluto a feira de bovinos, ovinos e caprinos realizada em Caicó no final de semana passado. Pelo menos, em termo de publico, que aproveitou a ocasião para curtir a sexta, o sábado e o domingo, fugindo da rotina de uma cidade zero em matéria de entretenimento cultural e de lazer. Certo que a maioria da população aproveita seus fins de semana para curtir a época invernosa se banhando nas centenas de açudes da região. Mas a garotada preferiu ver a bicharada e os shows de Heraldo e seu mamulengo de perto e os pais obedeceram. REBELDIA TRABALHISTA Brizolista de carteirinha e fundador do PDT no RN, o líder empresarial Afrânio Amorim desabafou depois da filiação do ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo: “O nosso partido tinha um dono, o deputado federal Henrique Alves, do PMDB, e um gerente, o deputado estadual Álvaro Dias. Agora, com as entradas de Tata e seu pai, Agnelo Alves, esse quadro vai mudar”. Ainda de acordo com Afrânio, em inflamado discurso no Senadinho, Dias troca de papel em Caicó: “Lá ele é o dono PDT e gerente do PMDB ao mesmo tempo”! Para Afrânio, o PDT está assim de bacurau a serviço do projeto político de Henrique. “Mas isso vai mudar, porque o nosso candidato a Governador lançado pelo presidente Lupi é Carlos Eduardo e zéfiní!” Falando em Álvaro Dias, o deputado seridoense que se cuide, pois os fiscais da DRT estão implacáveis nas visitas diárias aos sítios da região, principalmente no município de Caicó. Pequenos, médios ou grandes proprietários de terras vão ter que assinar as carteiras de trabalho de seus empregados. O danado é que a maioria desses pobres coitados nem dinheiro têm para fazer uma feirinha, quanto mais pagar direitos trabalhistas a um ajudante. A revolta é geral e o alvo dela é o deputado Alvaro Dias que colocou o amigo Jonny Costa( grande figura) como delegado do Trabalho no Estado. Não sabem eles, os rurais, que o cargo de delegado é apenas pomposo como o da Rainha da Inglaterra ou, seja, reina, mas não manda porra nenhuma. Porque os autos de infração lavrados pelos fiscais só quem derruba é a justiça. Portanto, é um cargo de prestígio para quem o ocupa,mas de desgaste para quem o indica. Então, Álvaro vai ter que descascar esse abacaxi o mais rápido possível, pois já tem colega seu, o também deputado Nelter Queiroz, na sua tubiba!
Escrito por OrlandoCaboré às 21h50
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Paixões de um homem As pessoas, mesmo desconhecidas, se tocam, se olham e, de repente, pimba...acontece. Bem vinda Por Deus ao Mundo, mulata alta, forte e viçosa, é filha de uma ex-escrava, Edoglênia, alforriada pelo próprio marido, Etorquínio Botelho, fazendeiro nos brejos tabajaras. Anphilóquio e Eronciana, pais do ex-patrão, agora esposo, são contrários à união conjugal, de papel passado, do filho com uma negra. Ficam amuados por um tempo, afinal, trata-se do único rebento da abastada família, porém, aos poucos, vão se chegando ao Bodocongó, principalmente, depois do nascimento da neta. Aumenta a prole do casal Botelho que, finalmente, exulta de alegra: - Benvinda por Deus, nossa netinha! Pronto estava batizada a doçura da recém nascida: Benvinda Por Deus ao Mundo, que ficaria para sempre, mesmo depois de crescida, adolescente e mulher já feita. E que mulher!. A vistosa mulata herda bens materiais e sobrenome do pai e a beleza e altivez da mãe, bela e majestosa como uma Deusa Zulu. A jovem ninfeta é alta, forte, escultural, seios apetitosos, ardentes, como dois cuscus fumegantes, prestes a explodir o califfon de algodão, feito à mão pelas mucamas. Pernas torneadas, lábios de mel, maliciosos, convidativos. Benvinda também é uma deusa, tal qual Edoglênia. Logo, logo, começa a ser cobiçada. Não que seja uma qualquer, desfrutável, mas seu gingado e olhares faiscantes, lascivos, sedentos e famintos enrubescem qualquer um em suas escapulidas final de tarde, cheia de molejo e requebros por becos e logradouros de terra batida de Vila Nova da Rainha. Molejos de um monumento em movimento, como saísse de um pedestal para virar cabeças, despertar paixões e excitar líbidos de jovens e maduros mancebos, sejam ricos ou pobres mortais. Ela, realmente, é monumental, excitante, de despertar paixões, desejos e fantasias! Mas, não é para o bico de qualquer um. Afinal, apesar da cor do pecado, como é definida pelas branqueIas invejosas do lugar, Benvinda segue seu destino divina e maravilhosa, pois sabe que seu Príncipe Encantado está prestes a aparecer e fisgá-Ia. Acredita na sua Fada Rainha e, de repente, depara-se com o seu Reizinho. Gajo impetuoso, moço rico, bonito e de prestígio, morador de outra freguesia, um pouco distante dali. À altura da garbosa patente, a de oficial da Guarda Nacional. Até então, nem se conheciam, pessoalmente ou de ouvir falar, pois o belo exemplar da raça africana, misturada ao sangue de cara pálida, jamais saíra da Vila Nova da Rainha, e o impetuoso galego, de muitas conquistas amorosas por onde passa, também atraindo olhares furtivos e apaixonantes do belo sexo, é um viajante contumaz pelos brejos. Além da poderosa patente, é um bem sucedido negociante de gado nos terreiros da bela mulata.. O destino une os dois. De repente, se cruzam, se tocam, involuntariamente, e se olham, instintivamente. Tudo começa, exatamente, nesse momento. Amor à primeira vista! Corpo curvilineo, que exala perfume e desejos. Mulher voluptuosa, frívola, se tornaria mais tarde, uma deusa de amor no puro estilo Afrodite. Facho de luz de sedução faiscante de olhares fixos e penetrantes, demolidores. O seu Eros é um forte e belo varão dos grotões sertanejos, cheio de paixão, desejos e ambição. Formava-se ali, o triângulo amoroso e, a reboque, uma tragédia - a morte anunciada de uma inocente.. Sedutor Jovem, rico, de boa cepa, descende de famílias das mais poderosas do lugar. Filho de fazendeiros, sobrinho de Governador, Tomaz de Araújo Pereira, o terceiro, e do Senador Francisco de Brito Guerra, o Padre Guerra. Este, o invejoso currículo de Francisco Galdino de Araújo, que floresce mais ainda depois de comprar a patente de Capitão da Guarda Nacional. Além do mais, é fazendeiro e próspero negociante de gado, em suma, jovem senhor de muitos dotes e cobiças. No entanto, não se contenta com o que possui, quer mais e mais. E sabe onde encontrar a botija: no seio da própria família. Arquitetado o plano de mais um dote, começa a freqüentar a casa dos tios, José Carlos de Brito e de Donana, no Jatobá, pais das meninas Ana e Maria. A primeira com dez para onze anos, a segunda, dentro dos treze. Ambas, como reza a tradição, prontas para casar, unir os corpos, procriar, aumentar a prole do clã, pois os pais não se preocupam com os estudos das filhas, só com os dos machos. Fêmea é para casar e procriar, e cedo. Em família de preferência, principalmente. Uma roda viva de troca de dotes, riquezas ficando em casa, um lucrativo comércio, então, tem que ser do mesmo sangue, azul, real, legítimo de Braga, por que não? Para que dividir latifúndios com os de outras paragens e sangue diferentes? Ora, mulheres e cavalos devem ser domados mais cedo, pois, crianças não participam de conversas e decisões de adultos, reza a cartilha patriarcal, feudal. A vida ensina que a alma transborda pelos olhos, e estes são a janela da própria vida, do espírito, do coração e do amor. O amor não pode, nem deve ser moeda de compra e venda, nem tampouco gerado pela ambição, pela maldade. A união de duas pessoas também. Afinal, como sairão os filhos de uma relação inter corporis, exdrúxula? Mas o feudo familiar não considera esse ensinamento do bem contra o mal. Assim, o que parece uma fraterna visita de Galdino aos tios e às primas, não passa mesmo de uma grande cobiça. No final, revelase apaixonado por Ana, a criança mais nova e bela, e pede permissão aos anfitriões para namorá-la. E a tem, de imediato: - Cá, conosco, é uma bela coincidência, meu jovem e preclaro sobrinho. Estávamos preparando-a exatamente para celebrar este casório - revela o tio José. O sonho acabou A pequena, bela e meiga Aninha leva a vida que Deus lhe deu absorta em sua inocência. Amor para ela é o lugar em que nasceu e vive, junta com os irmãos, primos, universo de contrastes de raças e climáticos, anos de secas que chegam até ser intermináveis, devastadores, de fazer dó e piedade, levas de retirantes de um lado para o outro a vagar pela caatinga ressequida e em brasa. Mas também de alvissareiros invernos, de muitas bonanças. Cheiro de mato verde, rasteiro, matas fechadas de plantas nativas mais altas. Velames, mofumbos, mandacarus, juremas, pereiros, oiticicas, angicos, craibreiras, pau d' arco, trapiás, carnaúbas a florir, exalando o forte aroma da terra molhada do sertão verdejante. É a transmudação da paisagem, a reinversão do verde - o mês de março de 1834 brindava o sertão com muitas chuvas e farturas, roças a perder de vista, garantia de muito feijão na vargem, milho embonecado plantados dia de São José para a degustação festiva junina, tradição celta-luso-africana que se repete nos sertões. Benditas águas de março, abril, maio, chegadas mais cedo, porque desde janeiro que chove e relampeia na região. Canaviais para entupir os engenhos de moagem, em agosto, época de muito mel, garapa, rapadura e aguardente. Festança boa! Cenário diferente do ano anterior, de uma seca, entremeada de um período invernoso de fazer inveja - de 1827 até 1832. Portanto, a seca de 33 pouco efeito faz sobre a economia agropastoril. Foram cinco anos de terra molhada, de águas correndo nos regatos que deixaram o Cuó e o Quipauá de barreira a barreira. Não há retirada de gente nem de animais. Boa época de boi no pasto, vacas paridas em ordenhas ou mamas da bezerrada. A bicharada em redor da casa grande, mucamas a cuidar do lar, doces canções de ninar, no paparico às sinhàzinhas. Bruxas de pano, calungas, feitio de Mãe Preta, bonecas de porcelana francesa, trazidas do Rio de Janeiro pelos afortunados e influentes parentes. Ana Catarina da Anunciação e Maria Clemência de Brito preparadas para casar, nem pensar. a destino, porém, está selado. a sonho de permanecerem crianças por mais alguns anos acaba. Abruptamente. Principalmente para Ana, a mais criança, dez anos, onze incompletos. A sentença é fatal, a tenra e ingênua menina é entregue de mão beijada ao algoz. Tradição de pais para fIlhos, desde priscas eras. Forte carga genética de celtas, visigodos, árabes, hebreus, fenícios, da Ibéria para o Trasmonte, Minho, Vila Real, Douro, Braga, Porto, de chegança em novo mundo de caravelas em portos não tão seguros como os decantados em prosa e verso. Litoral- agreste de cafezais e canaviais, sertão inóspito, quase impenetrável.
Escrito por OrlandoCaboré às 15h17
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Orater Frater - Kirieleison, Cristo eleison, Introito Aldatare Dei... continuava em latim o celebrante do duplo casamento. Dois casais, seus sobrinhos, primos entre si (Maria casa-se no mesmo instante com o também primo carnal Manoel Basílio Ferreira). O vigário-geral lembra: - O casamento é indissolúvel e somente Deus, o Nosso Pai Celestial, tem o poder de dissolvê-Io. Pela morte, claro. E, dirigindo-se, especialmente ao casal mais novo, o Vigário Geral da Freguesia de Nossa Senhora Sant Àna, manda-o repetir as palavras: - Senhor Francisco Galdino. Jura amar sua jovem esposa na saúde, na doença, na tristeza e na alegria, na riqueza ou na pobreza, até que a morte os separem? O opulento noivo, tom grave, de muitos decibéis, de quase estourar os tímpanos dos parentes e convidados que superlotam a Igreja Matriz, responde: - Siiiiim! A resposta da angelical noiva mal é ouvida. Completa com um ligeiro aceno. Não entende, nem está preparada para atos tão pomposos, cansativos, uma exaustão que aumenta a cada instante entre a multidão comprimida em pequeno espaço. Dia invernoso, mas São Pedro dá uma trégua na noite de 12 março de 1834, estrelada, sem respingos sequer da brisa que sopra forte de nascente a poente. Nada de insolação, durante a tarde, multidão se aglomerando no pátio de terra batida ao redor da Igreja. Mas, no interior do Templo, o calor já incomoda os vestidos com muitas roupas, chiques, cavalheiros de muitos galões, damas de muitas sedas sobre as anáguas e combinações. Imagina a pobre menina-quase-mulher envolta em um longo vestido de renda, de véu e grinalda, dentro do Templo? Treme que só vara verde! Jogo de cena O sofrimento de Ana, agora de sobrenome Freire, começa na noite de núpcias, como era previsto. Situação embaraçosa, constrangedora, total desconhecimento de sexo, embora, como de praxe, haja uma certa preparação pré-nupcial ministrada pelas mães de jovens, casadoiras, ensinando-as como enfrentar e se comportar no mom~nto de se entregar aos maridos, na junção carnaL Com Ana, a coisa funciona diferente, não há tempo suficiente para o ritual e, o mais grave, ela é uma menina que não havia desabrochado ainda, enjoado da boneca. Literalmente, uma criança com corpo, idéias e ações de criança. Mas "Deus quis assim, e assim será", apregoam seus senhores.. Depois da festança, de mesas fartas e salões repletos ao som da fanfarra, o casal se recolhe aos aposentos. E assim, vai levando a vida. E os filhos começam a surgir, a meiga, doce e ingênua mãemenina enfrenta três partos em tão pouco tempo de casada com Galdino. Aos 17 anos, já é mãe de Isabel, Azarias e Manoel.. O casal denota muita felicidade, é presença constante nas reuniões e festas de família e também nos festejos da Padroeira, destacandose Aninha na sua ação social, filantrópica em favor dos mais necessitados. Apesar da tenra idade e dos deveres de mãe e de dona de casa, ela desenvolve um grande trabalho de ajuda aos pobres e infelizes do pequeno lugar. Todos aplaudem, exaltam o belo par. - Dois pombinhos apaixonados, felizes. Há de ser uma união duradoura e de grande prole. Deus há de querer - é o desejo unânime dos conterrâneos. Êxtase geral. Os de Sussuarana, escravos e mucamas, são testemunhas... - Ninho de cobras. - S' aconchegue mais, meu tenentim. Tava morrendo de sôdade, pensei até que aqui não havera de voltar. Tô louca de paixão, sedenta de desejos. Marroche com toda força do seu coração. Beije-me, muito, no pescoço, no pé da oreia, nos bibilos. Aperta mais, quebre-me pelo meio. Já não aguento mais, aí, ai, amor da minha vida! Me penetre pra valer, seu fela-da-puta! - É piá já, minha potranca. Cada vez que penso em você, mesmo distante, meu corpo arde de prazer, meu sangue fervilha. Ao tocar-lhe, explodo. Morda-me o lóbulo, cafungue no meu cangote. Ai, minha neguinha, devora-me também, duas, dez, mil vezes ainda é pouco! Aiiiiiiiiiiii! Excitação desmesurada, conjunção carnal. Copulação, não mil vezes, mas muitas e muitas, intermináveis a cada encontro, furtivo, que se repetiria anos a fundo. Uma paixão sem limite, animalesca - perigosa! Cheiro de traição conjugal, de tramas ardilosas. Tragédia eminente, é assim que sempre acabam os triângulos amorosos. O "tenentim", um bígamo perdidamente apaixonado, uma insaciável amante transloucada de desejos e de ciúmes. Idéia fixa: - Ser apenas a outra, jamais. Tenho que ser a primeira, a única, e vou chegar lá. E começa, exatamente, na alcova campineira, o engendramento de uma trama diabólica, tendo como palco a Sussuarana e como vítima uma jovem e indefesa senhora. Arma-se, nos brejos, distante do sequeiro, o circo dos horrores. E não se fala mais nisso, ordena a Lucrécia Borgia do Bodoncongó. Determina-se, cumpra-se, imediatamente, o mancebo do Samanaú e do Cuó! Soa grave, ameaçadora, decisiva, fatal: - Ou ela, ou eu! A face oculta Ela. Isso mesmo. Sentença não se discute, cumpre-se e nem precisa oriunda da Justiça. Basta partir de uma mulher bela, compulsiva e possessiva. O bravo, opulento, belo sedutor e demolidor de corações, dobra-se diante à beleza e os planos sórdidos da musa brejeira. Desmorona, porque o primeiro sentido de um homem perdidamente apaixonado é perder a lucidez. Manipulado como um mamulengo de um teatro mambembe, enrosca na trama, obedece fielmente. Então, terá que ser ela, a fiel esposa, a doce companheira, a meninamãe dama da Sussuarana, a sacrificada. Destino cruel, final trágico, traição coletiva. Aninha dormia com o inimigo, ao lado, e seus asseclas dentro do bangalô. De nada suspeita. Ama o marido e os filhos e adora as mucamas Florência, Senhorinha e Cordulina. O caboclo José Francisco também é de grande estima, o caseiro, pau para toda obra. Mas a preta do coração de Ana Freire e das crianças é Cordulina. A mucama ajudara a criar a Sinhàzinha com todos os mimos e paparicações. Uma Mãe Preta de coração brando e de "alma branca", elogios recebidos dos frequentadores de Suassuarana. E até do Samanaú. Amor e dedicação repassados para Isabel, Azarias e Manoel. Esmerava-se nas atenções aos pimpolhos e à Donana. Mãos abençoadas nos feitios de quitutes, bolos, doces, alfmins, cocadas e queijos de coalho de mocó, merendas completados por ponches de diversas frutas e sabores. Florência e Senhorinha cuidam da cozinha e limpeza e da arrumação da casa alpendrada e de sotão. A Sinhàzinha da Sussuarana já sente um certo afastamento do marido, dela e da casa. As viagens são constantes, sem nenhuma explicação. Simplesmente, Galdino, elegantemente vestido, manda José Francisco ensilhar o belo alazão, monta-o e sai em disparada pelas pradarias até sumir matagal a dentro. Dias intermináveis, de muitas saudades e aflições. A jovem senhora de nada suspeita - e haveria de se manifestar? O amável primo que a sentara no colo e a carregara na corcunda quando bebê, e a esposara ela criança ainda, transforma-se. Não é mais aquele jovem robusto, impetuoso, mas de fala mansa, educada, cheia de graças e juras de amor. Mudara de feições, de afeto e de caráter. Agora é um senhor de poderes, cara fechada, expressões e atitudes ríspidas cheias de desamor. Na ida e na volta às viagens misteriosas - e na última, que ainda chega a comentar o destino - a casa da sogra Donana do Jatobá, ribeiras acima do Cuó, já margeando o Piranhas, não passa de uma farsa, com o objetivo de criar seu próprio álibi.
Escrito por OrlandoCaboré às 15h17
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A tragédia da Sussuarana A vida é a grande escola e ensina que as mãos que um dia afagam podem também apedrejar. Benvinda vira a cabeça de Galdino, que força as escravas a participarem do ato diabólico. Aninha não desconfia, nem reage, embora perceba a rápida mudança do marido e das mucamas. Não sofre de anorexia, mas vai emagrecendo, torna-se frágil, lentamente, perde as forças, embora mantendo o apetite voraz de mãe jovem que ainda amamenta Manoel, o último do trio ternura. Mas continua a definhar, as idas ao Samanaú são raríssimas, principalmente às missas dominicais celebradas pelos primos coadjuvantes do tio Senador, em viagem ao Rio de Janeiro. As pessoas mais próximas começam a suspeitar de algo estranho, de alguma doença grave causadora do repentino emagrecimento dela. O tempo passa e a esposa do ausente Capitão Galdino vai descorando, uma palidez já quase cadavérica. A morte anunciada está prestes a se consumar, mas a jovem senhora de Sussuarana aceita o padecimento em silêncio, sem reclamar, inerente a dor e ao sofrimento, como diria Charles Darwin. Pacto de morte tipo Romeu e Julieta, nem pensar, haja vista total desconhecimento da existência do Shakspeare apaixonado (o autor inglês e sua obra), no Cuó e alhures. Na Sussuarana, então... A tragédia ali é real, por enquanto, de uma vítima só. Mas, o desenrolar do caso sado-masoquista arquitetado pelo casal amancebado é uma tragicomédia de muito sangue e hipocrisia. Racismo fatal Quando o fanhoso moleque-vaqueiro Zébedeu de Andronico das Cachoeiras, tirador de leite na Sussuarana, chegara espavorido em Samanaú dando a notícia da prematura morte da Sinhàzinha, as pessoas do lugar quase morrem de susto naquela fatídica manhã de 07 de maio de 1842. Custaram acreditar, porque achavam que a fragilidade da jovem mãe devia-se a difícil tarefa de dona de casa, marido muito ausente e, de, principalmente, à amamentação ao filho mais novo, um robusto moleque que sugava seus seios a todo momento. Ora, se ela não reclamava de dores, nem tampouco de doença alguma, de que teria morrido? - Murrêo di quê, di qui murrêo? - perguntavam ao portador da má notícia. Este respondia, atabalhoado diante de tantas inquirições: - Num seio di nada. Sormente, qui a pobizinha acurdô motinha da sirva. Eu juro pur Deus e Nossiora Santana, e pur estis óios e esti coipo qui a terra ai de cumê, qui num seio mai di nada! A partir daí, é repetir um pouco mais o primeiro capítulo, tema central de Os de Samanaú e do Cuó: Nos instantes finais dos atos litúrgicos de encomendação do corpo da vítima, para encaminhá-lo à sepultura, o celebrante gira o seu pescoço caboreano e fixa o olhar de gavião peneira novamente para um único ângulo: o do ataúde que envolve sua sobrinha. E visualiza marcas arroxeadas em torno do pescoço da Sinhàzinha da Sussuarana. Imediatamente, manda evacuar a Igreja Matriz de Sant'Ana e convoca um médico presente para periciar o corpo. O diagnóstico infalível, contundente, do doutor: - Morte por estrangulamento! A verdade é cristalina, insofismáve~ porque a mentira tem pernas curtas.o elucidamento da causa mortis provoca mais impacto na multidão presente aos funerais do que a notícia do falecimento de Ana Freire. Se a vítima fora estrangulada, quem terá perpetrado tamanha barbárie? O próprio marido? Mas, alguém lembra que o estabanado Zebedeu fIzera questão de ressaltar, ao anunciar a morte da patroa, "justo na ora qui o capitão Gardino viajô ninguém sabi prá donde! Um álibi para o viúvo.. Os olhares vão girando e atingem o alvo em cheio - os escravos que, de tão nervosos, se auto-denunciam. E não resistem a 30 segundos de interrogatório dos irmãos e primos da vítima, um dos quais bacharel em Direito em Recife. E abrem o bico.
Escrito por OrlandoCaboré às 15h15
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O criminoso sempre volta ao local do crime
- Fumo nóis. Fazia tempo qui eu e Cordulina vinha invenenando doninha, mais ela num murria de jeito manera. Antonci, hoji madrugadinha inda chamamo Zé Francisco pra acabá com o seuviço. Premero, Zé si negô a se envorver cum o crime, mai cando a genti lhi dissi qui era tudo mandado pelo patrazim, Zé cuncordô. Sigurô a siorinha por os pé e a genti fizemo o resto. Ardiscurpem, poi só fizemo essa mardade pro modis qui timbém o patranzim amiaçô nóis de moti! À medida que os escravos confessavam o assassinato da patroa, o Capitão Galdino, escorregadio que nem um felino, tentava escapar por entre os arvoredos que circundavam a Igreja. Quase consegue, não fosse um grito partido da multidão enfurecida. Do próprio e diligente Zebedeu, que não o perdera de vista: - O cabra rim instá fugino, pissoá. Ramo pegá o safadu! Comandada pelo moleque de Andronico, a turba ensandecida corre atrás e o agarra prá valer, mesmo o uroxida jurando inocência:
- É tudo mentira desses negros. Eu sempre amei e jamais deixarei de amar minha digna esposa e meus filhos! Evitado linchamento do capitão satânico, vai toda quadrilha em cana, até mesmo Florência e Senhorinha, inocentes. Jamais citadas nos depoimentos dos criminosos. O processo se desenrola por mais de um ano. Chega o dia do julgamento: Florência, Senhorinha e Zé Francisco são inocentados e livres. Galdino é condenado a oito anos de prisão, e Camilo e Cordulina, pagam o pato: morte por enforcamento. Pena de morte decretada pelo Governador André de Albuquerque Maranhão, aliás, a primeira e única dessa condenação na Província. O cenário é uma tristeza, jamais vista em tempo algum, naquela manhã de 30 de agosto de 1843. O Largo do Rosário, entre a Capela da Irmandade dos Negros, e o cemitério, arma-se o cadafalso para o ato final da tragicomédia sertaneja. O caboclo Zé Francisco, "absolvido", temporariamente, é escolhido como o carrasco. Protesta, bravamente, heroicamente, alegando que não mataria os de sua própria raça. Enquanto se discutia a recusa de Zé, este tenta escapulir, mas é abatido impiedosamente a tiros pela guarda, que aproveita também e dispara contra Camilo e Cordulina, a mando do juiz interino Manoel Batista dos Santos Brito. E o mentor intelectual do crime, elemento principal da tragédia da Sussuarana, cujos escravos, inocentes úteis e fiéis ao amo, foram obrigados a executar a hedionda tarefa de exterminar a vida de uma inocente que eles tanto a respeitavam e a amavam? E o fizeram por conta das ameaças de morte? Final infeliz! Bem, o Capital Galdino, com pena branda, é transferido para o Assu, isto porque, como oficial da Guarda Nacional, e cheio de patacas em seus cofres, tem o direito de ficar "preso" em uma sala livre. Não demora muito, com a ajuda de amigos poderosos do lugar, passa sebo nas canelas e...pica a mula. Foi! Ninguém sabe para onde. Muitas dúvidas de seu paradeiro e de seu fmal de vida: rico fazendeiro em Pernambuco ou pobre de Jó no Piam? O certo é que ele escafede-se para sempre, não fica nem sabendo da prescrição do crime, em 1861. Mas, Galdino, além da fuga, ainda é ajudado financeiramente pelos amigos assuenses. Ainda consegue uma boa soma. Quanto à prescrição de pena, se soubesse, não estaria a caminhar entre os rochedos e labirintos entre o brejo e o sertão, arrependido por ter caído nas garras da diabólica Deusa Zulú, por quem se apaixonara há mais de vinte anos e perdera a cabeça a ponto de mandar matar a sua fiel companheira, a prima que a esposara ainda criança. Galdino lembra também o outro patrimônio que deixara para trás - três lindas crianças, agora adultas e, provavelmente, chefes de família, os pais, irmãos, enfim, parentes e amigos, e sobretudo um império conseguido pelo trabalho e pelo dote familiar. Não era mais homem de respeito, rico, Capitão da Guarda Nacional. Perdera duas mulheres, Ana, e Benvinda Por Deus ao Mundo, o pivô da tragédia de Sussuarana, que abalaria toda a província, de sua própria desgraça. O mundo acabara para ele. De nada, adiantava vagar de um lugar para outro. As patacas de ouro já eram curtas, a cada passo dado se exauriam mais a mais. Não aguentava mais, de feira em feira, de povoado a povoado, onde quer que chega, o lamento dos poetas populares a declamar os versos do ABC de Ana Freire, de autoria desconhecida:
- A minha sina me deu/ Para o mundo não ter sorte/ pois aflita me acabei/ de uma tirana morte. Bem cuidosa e pensativa/ vivia sem alegria/ não tinha gosto comigo / nem de noite, nem de dia. Casei-me de tenra idade/ como vivia não sei/ um dia alegre, outro triste/ assim passava e findei. Grandes tormentos passei/ sufocada, sem abrigo/com uma toalha no pescoço/ mandada por meu marido. Não se há de queixar de mim/ pois que sempre o amei/ na cegueira que ele andava/ muitos conselhos lhe dei. Quanto melhor seria/ ter brando o seu coração/ para agora não se ver/ oprimido na prisão. Todos que forem casados/ estimem as suas mulheres/ não usem de ser tiranos, nem para elas crués. Longe de mim habitavam/ os meus amados paizinhos/ os meus gemidos ouviram/ os meus pequenos filhinhos. Saudade não tem idade!
Cruel, muito cruel. Os versos se encrespavam pelas entranhas, como um punhal dilacerando suas carnes, atingindo seu coração, remoendo seu JUlZO. Que desgraça, meu Deus, não me perdoe, nem tende piedade de mim. Mereço, o ódio, o desprezo a morte. Não aguento mais, porém, tenho que viver para sofrer mais ainda, É pouco para o mal que pratiquei. Era tarde para arrependimentos. Para trás não deixara apenas um rastro de sangue, mas, principalmente, o ódio de seus familiares, a sede de vingança. Amor verdadeiro era o de Ana. A paixão nutrida por Benvinda fora intensa, ardente, pactual e trágica. Olhos lacrimejantes, Galdino desiste de prosseguir a viagem sem volta. Estava amarrado ao passado, acossado pelo presente sem saber o que fazer no futuro. A vida para ele é cheia de decepções. Acendera uma vela para Deus, ao se casar com a prima-criança, e outra para o Diabo, ao pular a cerca para se juntar com Benvinda. Antes de tudo, era um monstro que vagava nas paragens distantes, fugitivo de sua própria sombra. Estava só, perdera a atração pelo feminino, a excitação pelos prazeres da vida, o amor e a riqueza. A menopausa social é um duro golpe para um homem, principalmente depois de ostentar riqueza, prestígio, poder e assédio. Cabeça confusa, coração amolecido, resolve retornar para Jurumenha, e lá, de tanto rememorar as canalhices praticadas, vai aos poucos se desmilingüindo, definhando como a Sinházinha da Suassuarana, a jovem bela, terna, mãe de seus filhos de colo, que ele próprio traçara o seu fim. O retorno a jurumenha é definitivo. Desmorona de vez até morrer de morte morrida. De banzo!
Escrito por OrlandoCaboré às 15h14
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